Lá vai uma entrevista com os membros mais velhos da perseverança Enês (E) e Fernandão (F)
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O que levou você a resolver participar da perseverança?
E: Foi um convite feito pelo Fernando, eu estava saindo de uma paróquia... Gostei da idéia e resolvi vir.
F: Eu fui convidado a participar por volta de 1981 ou 82, pela Maria Luisa, uma amiga minha que participava, junto com o Tel. Eu era de uma turma na catequese, eu tinha feito a primeira comunhão, e fiquei à toa. E então eles, que já me conheciam me chamaram. Daí eu... Continuei, pois era um trabalho importante, eu adoro trabalhar com crianças, comecei a gostar e fiquei aqui até hoje.
Há quanto tempo você freqüenta a igreja católica e a Perseverança?
E: A igreja foi à vida inteira, já a perseverança tem dezenove anos.
F: A igreja católica eu freqüento dês de pequeno, por que minha família é totalmente católica, a minha avó ficava na cantina fazendo pastel. Depois, quando fiquei jovem, com treze, catorze anos... Eu fui me afastando um pouco, não ia mais a missa. Mas então, depois meus primos me chamaram pra fazer um encontro, e aquele encontro foi uma chacoalhada, um despertar. Como se Deus me dissesse: “Você está à toa, você deve ficar comigo, estou chamando-o, você não ta fazendo nada, você deve voltar à suas raízes de origem. Ele me deu aquela chacoalhada e eu fiquei de vês aqui. Eu entrei nessa paróquia em 1980.
O que você acha sobre a perseverança? O que tem de bom e ruim?
E: Eu acho a perseverança maravilhosa, de bom tem essa juventude (que são vocês), que tem muito animo e energia, que estão sempre dispostos a participar. O ruim é que agente tem muito evento e fica muito cansativo.
F: O que tem de bom é o carinho e a amizade, vendo as crianças gostando do nosso trabalho... Eles apreciam o esforço que nós fizemos aqui. Nós nos esforçamos para um encontro alegre, dinâmico, para que as crianças gostem disso. E ruim é que estou vendo crianças aí que não entenderam, e não estão vindo! Não estão levando a sério! Que o ideal é que todos participem como uma comunidade, uma família! Mas a maior parte está sempre perseverando e levando a sério.
O que você acha que poderia mudar na perseverança?
E: Em termos espirituais, em termos de eventos, e de encontros e acredito que nada. Que a perseverança já vem caminhando dessa forma nesses vinte e cinco anos e eu acho que tenha produzido muito fruto, agora é só agente forçar mais e rezar mais com a graça de Deus.
F: Olha, eu gosto tanto daqui, eu estou meio assim... Suspeito falar, por que eu sou agora o mais antigo daqui, e eu ajudei, e criei muitas coisas que hoje funcionam, como as oficinas. A perseverança virou um pedaço da minha vida, eu amo a perseverança. Mesmo cansado eu ainda venho, e quando boto o pé aqui, eu me esqueço de tudo passado, que quando agente sente muito prazer de uma coisa, o cansaço some junto com todo o aborrecimento. Quer dizer, eu estou aqui por que gosto muito é uma parte importante na minha vida.
Você se lembra como era a perseverança antes (Á mais ou menos 20 anos) comparada a hoje em dia? Como era?
E: Era tão maravilhosa como hoje em dia...
F: Lembro! Era pequeno, agente se reunia antes e fazia uma leitura do evangélico, quando encerrava a reunião nós íamos à missa e acaba o encontro. Não era um encontro como o de hoje em dia, que tem brincadeiras, dinâmicas, mais conversas... Era uma coisa bem assim... Hoje posso dizer que era bem chata. Que não atraia os jovens, tinha algumas crianças, mas era muito chato.
O que melhorou e piorou daquela época para hoje em dia?
E: Melhorou que hoje nós contamos com mais turmas, com mais jovens, mais catequistas, com a participação até dos pais, o que piorou foram as crianças, hoje em dia elas são mais levadas.
F: Melhorou a divisão em turmas, é importante trabalhar com crianças de 9 a 11 anos e com jovens de 1 a 15... A mensagem é a mesma, mas se deve trabalhar de uma forma diferente, isso foi ótimo, e também o uso de muita interação com o jovem, não é agente só falar, o jovem também tanque cooperar. É uma coisa muito mais dinâmica, gostosa e... Viva de se fazer. E o que piorou... Olha, eu não consigo enxergar o que piorou, desde vinte anos atrás foi uma evolução, não piorou nada. Melhorar sempre, evoluir sempre.
Como foi ficar anos com a perseverança e por quê?
E: Foi maravilho a realização que nós temos a alegria de estar com vocês, a alegria de ver jovem que estão vindo perseverar com agente, a alegria de ver outros caminhando outros rumos em outras pastorais, foram tudo muito bom, eu tenho apenas que agradecer à Deus.
F: Suponho, vivo aqui, estou aqui, amo aqui, sou um perseverante, agora agente que é perseverante e leva isso a sério... Nós cobramos do pessoal de casa: “Já vai sair? Outra vês?”, “Ah, que pé no saco, é domingo, vou dormir”. Agente faz de tudo, temos encontros, para que, a família principalmente, entenda que sempre, Deus está em primeiro lugar antes de tudo. Temos que amar primeiramente à Deus, ele nos pede trabalho, eles nos chama, deus me chamou, sou uma pessoa maravilhosa e linda? Só sou lindo, mas maravilhoso não. Se ele me chamou, eu tenho a obrigação de atender a seu chamado...
O que a perseverança representa em sua vida?
E: Representa a realização da minha fé. Das coisas que eu acredito, do momento de estar com amigos, formar amizade conhecer pessoas, partilhar a f e os sentimentos. Isso é uma coisa muito boa, trás mais amor pra gente.
F: Como eu já comentei antes: A perseverança representa um pedaço da minha vida. Eu não consigo me imaginar, sem estar aqui aos domingos sem estar fazendo o encontro, sem ver as crianças, sem estar vestindo a blusinha verde... Resumindo, eu não consigo viver sem a perseverança. Olha, eu já deixei claro à todos os meus afilhados: Quando eu morrer, eu quero ser enterrado nessa paróquia, vestindo, a blusinha verde da perseverança, por que Fernando e perseverança são uma coisa só.
Para fechar a entrevista, gostariam de dar um recado para os perseverantes (ainda mais nessa época, que está chegando novos membros da catequese) e para os leitores, por favor?
E: Que todos vocês tenham a certeza de que Deus nunca nos abandona, sempre está andando ao nosso lado, as vez agente pensa: “Ah! Não ta dando certo, eu não tenho isso nem aquilo”, mas na verdade agente vê que cada dia Deus caminha de mãos dadas com a gente, sempre dá pra gente fazer o que agente pretende, o que agente tem vontade de fazer, por que agente realiza a vontade de Deus na vontade do que agente quer... O recado é “Vamos nos amar, espalhar o amor”.
F: Como diz o nome da pastoral: Persevere. Ás vezes a gente pensa: “To com dor de cabeça, com problema... Não vou pra missa hoje!” Mesmo você tendo essa agonia, venha, pois Deus irá consolá-lo eu tenho certeza. É isso, persevere, vimos aqui para aprender mais, os católicos e perseverantes, tem que ser inteligentes, tem que ter lógica do que é ser um católico. É por isso que estamos aqui, para aprender mais, apreciar mais a nossa religião, para os leitores, vejam a perseverança como um grupo bonito e unido, que persevere, que queira evoluir...
Obrigado.
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